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Indústrias brasileiras no Paraguai: quem já produz lá e por quê

O Brasil é o principal destino do que a maquila paraguaia exporta. Aqui estão os números do MIC, os setores que mais foram, os casos públicos e o que essas empresas fizeram antes de decidir.

Por Fernanda Iorio, engenheira e fundadora da FCI Consulting Export  ·  Atualizado em 28 de outubro de 2026

Resposta curta

Segundo o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai (MIC), mais de 230 indústrias brasileiras têm programa de maquila aprovado, e 64% das exportações da maquila vão para o Brasil (US$ 1,052 bilhão de janeiro a outubro de 2025, com 35.447 empregos, alta de 23% em um ano). Os setores que mais foram: autopeças, confecção, alumínio, químicos e plásticos. Quase metade das plantas está no Alto Paraná (Ciudad del Este, Hernandarias e Minga Guazú), a 30 km de Foz do Iguaçu.

Os números da maquila

IndicadorDadoFonte
Exportações da maquila (jan a out/2025)US$ 1,052 bilhãoMIC / Infonegocios
Destino Brasil64% (Mercosul: cerca de 78%)MIC
Empregos formais na maquila35.447 (+23% em um ano)MIC
SetoresAutopeças 32%, confecções 16%, alumínio 11%, químicos 8%, plásticos 6%MIC (jul/2026)
Onde estãoAlto Paraná 48%, Central 28%, Assunção 8%, Amambay 6%MIC (jul/2026)
Programas novos em 202642 programas, US$ 59 milhões de investimento (até jul/2026)MIC

Quem já foi: casos públicos

Karsten (têxtil, Santa Catarina). Inaugurou fábrica no Paraguai em março de 2026 para atender o mercado brasileiro. Os motivos citados pela empresa à imprensa: custos e falta de mão de obra no Brasil, onde chegou a ter quase 10% das vagas sem preencher (CNN Brasil, março de 2026).

Lunelli (têxtil, Santa Catarina). Mantém unidade em Minga Guazú, no Alto Paraná, uma das referências do setor de confecção que responde por 16% das exportações da maquila.

Jussara (laticínios, Goiás). Anunciou que estuda investir cerca de US$ 10 milhões em uma unidade de leite em pó no Paraguai.

HLCaps (bonés e acessórios). Investiu mais de US$ 8 milhões do próprio caixa em planta no Alto Paraná.

Darnel (embalagens). Avalia planta no Paraguai para atender o Mercosul.

Em comum: todas produzem no Paraguai para vender fora do Paraguai, principalmente ao Brasil, e nenhuma fechou a operação brasileira. O modelo é híbrido: uma linha ou etapa lá, o restante aqui.

Por que elas foram

  • Insumo e máquina sem tributo de importação. Dentro da Lei de Maquila, matéria-prima, embalagem e equipamentos entram com os tributos suspensos. Para quem importa insumo, é a linha que mais muda a conta.
  • Tributo único de 1% sobre o valor agregado na exportação (Lei 7.547/2025).
  • Energia. Tarifa industrial da ANDE em torno de US$ 44 a 50 por MWh, de 2,5 a 3,5 vezes abaixo da média brasileira.
  • Gente para contratar. Encargo patronal de 16,5% e disponibilidade de mão de obra que vários polos brasileiros perderam.
  • Proximidade. Ciudad del Este fica a 30 km de Foz do Iguaçu e a cerca de 1.000 km do interior de São Paulo.

O que elas fizeram antes de decidir

Nenhuma dessas empresas foi "pelo 1%". Foram depois de uma conta com sete linhas (insumo, energia, folha, tributo, frete, investimento e retorno), em três cenários, e de visitar fábricas brasileiras já instaladas. A FCI faz esse percurso com o dono da indústria no Projeto Paraguai e na Imersão Paraguai, que leva o industrial para dentro das plantas em Ciudad del Este e Hernandarias.

Onde elas estão

O Alto Paraná concentra 48% das maquiladoras pela proximidade com Foz, pela energia de Itaipu (Hernandarias) e pela rede de despachantes e fornecedores já formada. O departamento Central (região de Assunção) tem 28%, com o maior mercado de mão de obra do país e acesso ao porto fluvial de Villeta. O Amambay (Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã, MS) tem 6%: faz sentido para quem atende o Centro-Oeste, com menos fornecedores locais. A comparação completa está em Onde instalar uma fábrica no Paraguai.

Quem não deveria ir

Indústria com insumo nacional e barato, produto pesado e barato (o frete come a economia), cliente que exige produção no Brasil, margem já alta ou sem caixa para 18 meses. Os cinco casos estão em Vale a pena produzir no Paraguai?.

Perguntas frequentes

Quantas empresas brasileiras produzem no Paraguai?

Mais de 230 indústrias brasileiras têm programa de maquila aprovado, segundo o MIC. Contando empresas fora do regime de maquila (comércio, serviços, agro), o número é bem maior.

Quais setores brasileiros mais produzem no Paraguai?

Pelos dados do MIC de 2026, autopeças (32% das exportações da maquila), confecções (16%), alumínio (11%), químicos (8%) e plásticos (6%).

Em que cidade do Paraguai estão as fábricas brasileiras?

Quase metade no Alto Paraná: Ciudad del Este, Hernandarias e Minga Guazú, a 30 km de Foz do Iguaçu. Depois vem o departamento Central (região de Assunção), com 28%.

As empresas que foram para o Paraguai fecharam a fábrica no Brasil?

Nos casos públicos, não. O modelo mais comum é híbrido: uma linha ou etapa no Paraguai e o restante no Brasil. A pergunta que elas responderam foi onde colocar a próxima máquina.

Dá para visitar indústrias brasileiras no Paraguai antes de decidir?

Sim. A Imersão Paraguai da FCI leva donos de indústria para dentro de plantas brasileiras em Ciudad del Este e Hernandarias, com reuniões com quem já opera lá.

Quer ver de perto como essas indústrias operam no Paraguai?

A Imersão Paraguai da FCI visita plantas brasileiras em Ciudad del Este e Hernandarias. Mande setor e produto no WhatsApp e receba as próximas datas.

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