Resposta curta
Um estudo de viabilidade para produzir no Paraguai precisa responder a uma pergunta: quanto custa o seu produto posto na porta do seu cliente, saindo do Brasil e saindo do Paraguai, em três cenários (conservador, provável e favorável). Para isso, ele tem que calcular insumo, energia, folha, tributo, frete da volta, regra de origem, investimento e retorno, com os números da sua indústria, não com médias de internet. Um orçamento de abertura de empresa, de despachante ou de escritório de advocacia responde a outra pergunta (como abrir), e por isso custa menos. O Projeto Paraguai da FCI leva até 3 meses, é feito em reuniões de trabalho com a diretoria da indústria e termina com uma recomendação clara: ir, ir em etapas (submaquila ou shelter) ou ficar no Brasil. O valor é apresentado em proposta, depois de uma conversa sobre setor, produto e faturamento.
As oito perguntas que o estudo precisa responder
| Pergunta | Por que decide | Onde o orçamento barato erra |
|---|---|---|
| 1. Quanto custa o insumo no Paraguai? | Boa parte dos insumos continua vindo do Brasil ou da Ásia; o preço muda com frete e admissão temporária | Copia o custo do Brasil |
| 2. Quanto custa a folha de verdade? | Salário mínimo de Gs 3.044.000 (US$ 500), IPS patronal de 16,5%, aguinaldo; e se há gente para contratar na cidade escolhida | Usa só o salário mínimo e esquece supervisão e turnover |
| 3. Quanto cai a energia? | ANDE cobra US$ 44,33 por MWh em 220 kV; tarifa em revisão | Promete a tarifa antiga para sempre |
| 4. Quanto custa a volta do produto? | Frete, dois despachos, armazenagem, seguro e dias de estoque na estrada; peça de R$ 40/kg paga 3%, embalagem de R$ 6/kg paga 20% | Não calcula; é o erro que mais fecha fábrica |
| 5. O produto tem origem Mercosul? | Sem origem, paga imposto de importação na entrada; o Paraguai pode usar até 60% de insumo de fora do bloco | Assume que todo produto entra com 0% |
| 6. Qual regime e qual tributo? | Maquila (1% sobre valor agregado), regime geral (IRE 10%), zona franca (0,5% sobre exportação), Lei 60/90 para máquinas | Vende um regime só, o que ele sabe abrir |
| 7. Quanto investir e em quanto tempo volta? | Galpão, máquinas, capital de giro para o estoque na estrada, custo da transição | Mostra a economia de imposto e esconde o investimento |
| 8. O que acontece se o cenário piorar? | Câmbio, tarifa de energia nova, demanda menor: é o cenário conservador | Só tem o cenário bonito |
Como a FCI monta o Projeto Paraguai
- Reuniões de trabalho com a diretoria, cerca de oito, de duas horas, em que a FCI entra na planilha da indústria: custo por produto, mix, clientes, frete atual, folha, energia.
- Três cenários: conservador, provável e favorável, com os mesmos produtos saindo do Brasil e do Paraguai.
- Regime e cidade: Maquila, regime geral ou zona franca; Alto Paraná, Central ou outra região, conforme frete, mão de obra e fornecedores.
- Caminho em etapas: começar por submaquila ou shelter (sem fábrica própria), validar de 6 a 12 meses, depois planta própria, quando fizer sentido.
- Recomendação por escrito: ir, ir em etapas ou ficar. A FCI já disse para ficar; é o que dá credibilidade quando diz para ir.
- Prazo: até 3 meses do início ao relatório final.
Quanto custa errar
A conta de um erro é sempre maior que a conta do estudo. Alguns exemplos que a FCI vê com frequência: galpão alugado numa cidade sem mão de obra para o turno; produto que não tinha origem Mercosul e voltou pagando imposto de importação; linha de embalagem leve que gastava 20% em frete; projeto feito com a tarifa de energia antiga. Em cada um deles, o industrial pagou a abertura da empresa, a mudança, meses de operação e depois a volta. O estudo existe para gastar uma fração disso antes, no papel.
Como saber se vale pedir o estudo
- Faturamento anual acima de R$ 3,6 milhões e uma linha ou etapa que possa ser transferida.
- Produto com valor por quilo que suporte o frete da volta.
- Cliente no Brasil ou no Mercosul.
- Disposição da diretoria para abrir a planilha de custos. Sem isso, não há estudo, há palpite.
Quem ainda não chegou aí tem um caminho gratuito: o guia "Paraguai: produzir sem pedágio", a Imersão Paraguai para ver as fábricas de perto, e as páginas desta série, com os números e as fontes.
Perguntas frequentes
O que um estudo de viabilidade para o Paraguai precisa ter?
A conta do produto posto no cliente, saindo do Brasil e do Paraguai, em três cenários: insumo, folha, energia, tributo, frete da volta, regra de origem, investimento e retorno. Sem frete da volta e sem regra de origem, não é estudo de viabilidade.
Quanto tempo leva o Projeto Paraguai da FCI?
Até 3 meses, com cerca de oito reuniões de trabalho com a diretoria da indústria e um relatório final com recomendação: ir, ir em etapas ou ficar.
Quanto custa o estudo de viabilidade da FCI?
O valor é apresentado em proposta, depois de uma conversa sobre setor, produto e faturamento, porque o escopo muda com o número de produtos e de cenários. Em qualquer caso, ele custa uma fração do erro que evita.
Por que o orçamento do despachante ou do advogado é mais barato?
Porque responde a outra pergunta: como abrir a empresa e o programa de maquila. Isso é necessário, mas vem depois. O estudo responde se vale a pena abrir.
A FCI pode dizer para não ir ao Paraguai?
Sim, e diz. Quando a conta não fecha, a recomendação é ficar no Brasil ou testar por submaquila antes de investir. É o que dá valor ao estudo quando a resposta é ir.
Quer saber se a sua indústria tem conta para abrir?
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