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Frete Ciudad del Este x Brasil: o que custa a volta do produto feito no Paraguai

O 1% da Lei de Maquila é a saída do Paraguai. A volta do produto até o seu cliente é outra conta, e é ela que derruba a maioria dos projetos de produto pesado e barato. Aqui está o que entra nessa conta e a regra de proporção que a FCI usa.

Por Fernanda Iorio, engenheira e fundadora da FCI Consulting Export  ·  Atualizado em 29 de outubro de 2026

Resposta curta

Ciudad del Este fica a 30 km de Foz do Iguaçu, ligada pela Ponte da Amizade (552 metros, mais de 40 mil veículos por dia), e a cerca de 1.000 km do interior de São Paulo por rodovia. A volta do produto feito no Paraguai até o cliente brasileiro custa cinco coisas: o frete rodoviário, o despacho de exportação no Paraguai, o despacho de importação no Brasil, a armazenagem e o seguro, e os dias em que o produto está na estrada sem virar dinheiro. A regra que a FCI usa antes de qualquer cotação: produto que vale R$ 40 por quilo paga cerca de 3% do seu valor em frete e fecha; embalagem vazia que vale R$ 6 por quilo paga cerca de 20% e não fecha. O valor por quilo do que você produz decide se o Paraguai cabe, antes de qualquer tributo.

As distâncias que entram na conta

TrechoDistância aproximadaObservação
Ciudad del Este a Foz do Iguaçu (PR)30 kmPonte da Amizade; fila na fronteira entra no tempo, não no quilômetro
Ciudad del Este a Curitibacerca de 640 kmPela BR-277
Ciudad del Este a Joinville e norte de SCcerca de 700 a 750 kmPolo têxtil e metalmecânico
Ciudad del Este a interior de SP (Sorocaba, Campinas)cerca de 1.000 kmPela BR-277 e BR-116 ou rodovias paulistas
Ciudad del Este a capital de SPcerca de 1.100 km
Assunção a Foz do Iguaçucerca de 330 kmSome aos trechos acima para fábricas na região Central
Pedro Juan Caballero a Campo Grande (MS)cerca de 320 kmFronteira seca com Ponta Porã

O que entra no custo da volta

ItemO que éComo a FCI trata no estudo
Frete rodoviárioCarreta de Ciudad del Este até o cliente ou o centro de distribuiçãoCotação real com duas transportadoras, com e sem retorno carregado
Despacho de exportação (Paraguai)Despachante paraguaio, documentos da maquila, certificado de origem, baixa na conta corrente de maquilaCusto fixo por embarque, cotado com despachante de Ciudad del Este
Despacho de importação (Brasil)Despachante brasileiro em Foz, registro da DI ou Duimp, conferência, tributos internos (IPI, PIS/Cofins, ICMS) conforme o produtoCusto fixo por embarque mais os tributos, que o cliente industrial se credita
Armazenagem e seguroPátio ou armazém na fronteira enquanto o despacho não sai; seguro da cargaPor dia de espera; a fila na ponte é o maior risco
Estoque em trânsitoDias entre sair da fábrica e faturar ao clienteCusto de capital sobre o valor da carga, por dia

Os dois despachos são o que mais surpreende quem está acostumado a vender dentro do Brasil: cada carreta que cruza a ponte gera uma operação de exportação no Paraguai e uma de importação no Brasil, cada uma com seu despachante, seus documentos e seu tempo. Quem embarca muitas cargas pequenas paga esse custo fixo muitas vezes; quem consolida em carreta cheia dilui.

Quanto custa o quilômetro: o piso da ANTT

A FCI não publica preço de frete por carreta, porque ele muda a cada cotação. O que existe de público é o piso mínimo de frete da ANTT, que a transportadora não pode cobrar abaixo. Pela tabela vigente desde 30 de setembro de 2026 (Portaria SUROC nº 22/2026), uma carreta de 5 eixos com carga geral, lotação, tem coeficiente de deslocamento de R$ 6,83 por quilômetro mais R$ 657,56 de carga e descarga. Em 1.000 km, isso dá um piso em torno de R$ 7.500 por viagem. Para uma carreta cheia, com 25 toneladas, são cerca de R$ 0,30 por quilo, no mínimo legal. O preço de mercado fica acima do piso, porque inclui pedágio, retorno vazio, espera na fronteira e margem da transportadora; e a carga raramente vai cheia nos primeiros meses. É por isso que, na prática, o frete por quilo fica bem acima do piso, e a regra de proporção abaixo é mais útil que a tabela.

A regra de proporção que decide

Pegue o valor do seu produto por quilo e compare com o custo de levá-lo da fábrica no Paraguai ao cliente, incluindo os dois despachos e a espera. Na experiência da FCI, para carga consolidada do Alto Paraná ao Sul e Sudeste:

ProdutoValor por quiloFrete e despachos sobre o valorVeredito da FCI
Peça técnica usinada, componente eletrônico, autopeçaR$ 40 ou maiscerca de 3%Fecha com folga
Confecção, calçado, pequenos eletrodomésticosR$ 15 a 30cerca de 5% a 8%Fecha, com carga consolidada
Plástico injetado leve, utilidades domésticasR$ 8 a 15cerca de 10% a 15%Depende do cliente estar perto da fronteira
Embalagem vazia, pré-moldado, líquido a granelR$ 6 ou menos20% ou maisNão fecha; a FCI diz para ficar

Esses percentuais são a regra de bolso que a FCI usa para a triagem inicial, antes de cotar. Eles saem da relação entre o custo de uma carreta cheia e o valor da carga que cabe nela: quanto mais valor por quilo, menos o frete pesa. O estudo de viabilidade substitui a regra por cotações reais da sua carga, do seu cliente e da sua frequência de embarque.

Como reduzir o custo da volta

  • Carreta cheia. Consolidar embarques para encher a carreta é a medida que mais reduz o custo por quilo. Vale esperar uma semana a mais para embarcar cheio.
  • Centro de distribuição em Foz ou Cascavel. Nacionalizar na fronteira em carga cheia e distribuir ao cliente com frete nacional, sem despacho a cada entrega.
  • Produto denso. Levar o componente e montar o volume no Brasil, quando a montagem não é a etapa que ganha com o Paraguai. Embalar lá o que viaja vazio é jogar frete fora.
  • Cliente no Sul. Paraná e Santa Catarina ficam a menos de 700 km. Para quem vende no Nordeste, a conta raramente fecha.
  • Retorno carregado. A mesma carreta que traz o produto pode levar o insumo brasileiro para a fábrica no Paraguai, dividindo o custo da viagem.
  • Despachante dos dois lados com experiência em maquila. Erro na conta corrente de maquila ou no certificado de origem para a carreta na ponte, e cada dia parado custa armazenagem e capital.

Frete e tributo não são a mesma conta

O produto com origem Mercosul entra no Brasil sem imposto de importação, mas continua pagando IPI, PIS/Cofins e ICMS na importação, que o cliente industrial se credita; os detalhes estão em Regra de origem Mercosul. O frete é outra linha, e é a que mais cresce com a distância. No Projeto Paraguai, o frete entra com cotação real, por rota e por frequência, nas sete linhas da conta: insumo, energia, folha, tributo, frete, investimento e retorno. Quando o frete come a economia das outras seis, a FCI diz para ficar, e a lista dos casos em que isso acontece está em Vale a pena produzir no Paraguai?.

Perguntas frequentes

Qual a distância de Ciudad del Este até São Paulo?

Cerca de 1.000 km até o interior paulista (Sorocaba, Campinas) e em torno de 1.100 km até a capital, por rodovia, passando por Foz do Iguaçu e pela BR-277. Até Curitiba são cerca de 640 km.

Quanto custa o frete de uma carreta do Paraguai até o Brasil?

Depende da rota, do retorno e da carga. O piso mínimo da ANTT para carreta de 5 eixos com carga geral, vigente desde setembro de 2026, é de R$ 6,83 por km mais R$ 657,56 de carga e descarga, ou cerca de R$ 7.500 por 1.000 km. O preço de mercado fica acima disso. A FCI usa cotações reais no estudo, não tabela.

Precisa de despachante aduaneiro para trazer o produto do Paraguai?

Sim, dois: um no Paraguai, para o despacho de exportação e a baixa na conta corrente de maquila, e um no Brasil, para o despacho de importação em Foz do Iguaçu. Cada carreta gera as duas operações.

Que produto não compensa produzir no Paraguai por causa do frete?

Produto pesado e barato: embalagem vazia, pré-moldado, líquido a granel, tudo que vale menos de R$ 6 a 8 por quilo. Nesses casos o frete e os despachos comem 20% ou mais do valor, mais do que a economia de tributo, energia e folha devolve.

Vale a pena ter um centro de distribuição em Foz do Iguaçu?

Para quem embarca com frequência e vende para vários clientes, sim: nacionaliza em carreta cheia na fronteira e distribui com frete nacional, sem despacho a cada entrega. Para quem tem um ou dois clientes grandes, a entrega direta costuma sair mais barata.

Quer saber se o frete deixa a sua conta fechar?

Mande no WhatsApp o produto, o valor por quilo e onde estão os seus clientes. A FCI responde em que faixa o seu frete cai e se vale seguir para o estudo.

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