Home  /  Paraguai, México ou Vietnã

Paraguai, México ou Vietnã: onde a indústria brasileira deve produzir fora do país

Quando o industrial decide produzir fora do Brasil, três nomes aparecem: Paraguai, México e Vietnã. Os três têm salário menor e regime para exportação. A diferença está na volta do produto para o Brasil: imposto de importação, distância e idioma. A FCI Consulting Export, de Fernanda Iorio, coloca os números lado a lado.

Por Fernanda Iorio, engenheira e fundadora da FCI Consulting Export  ·  Atualizado em 29 de outubro de 2026

Resposta curta

Para uma indústria brasileira que vai vender no Brasil, o Paraguai costuma vencer México e Vietnã por três motivos: o produto volta sem imposto de importação pela regra de origem do Mercosul; a fábrica fica a 30 km de Foz do Iguaçu, e não a semanas de navio; e o regime de Maquila cobra 1% sobre o valor agregado no lugar do imposto sobre o lucro. No México, o regime IMMEX livra a importação temporária de insumos, mas a empresa paga 30% de imposto de renda mais 10% de participação nos lucros (PTU), e o produto entra no Brasil pagando imposto de importação na maior parte dos itens, porque o acordo Brasil-México (ACE 53) cobre só 789 produtos. No Vietnã, o imposto de renda é de 20%, o salário é o menor dos três, mas não há acordo comercial com o Brasil: o produto paga a tarifa cheia na entrada e viaja do outro lado do mundo. México e Vietnã fazem sentido para quem vende nos Estados Unidos, na Europa ou na Ásia. Quem vende no Brasil produz perto do Brasil.

Os três países lado a lado

ItemParaguai (Maquila)México (IMMEX)Vietnã
Imposto sobre o lucro da operaçãoTributo único de 1% sobre o valor agregado (Lei 7.547/2025)ISR de 30% sobre o lucro, mais PTU de 10% do lucro fiscal para os empregadosCIT de 20% (alíquotas reduzidas em projetos incentivados)
Insumos e máquinas importadosAdmissão temporária sem tributos; Lei 60/90 zera IVA e imposto de importação de máquinasIMMEX: importação temporária sem o IVA de 16% e sem tarifa; exigência de exportar US$ 500 mil por ano ou 10% das vendasIsenções em zonas industriais e para exportadores, caso a caso
Salário mínimo (2026)Gs 3.044.000 por mês, cerca de US$ 500 (desde julho de 2026)MXN 315,04 por dia (cerca de US$ 17), ou MXN 440,87 na fronteira norteVND 5,31 milhões por mês na região I (cerca de US$ 210)
Imposto de importação na volta para o Brasil0% com certificado de origem Mercosul (IPI, PIS/Cofins e ICMS continuam)Preferência só nos 789 itens do ACE 53, em níveis de 20% a 100%; o resto paga a tarifa cheiaTarifa cheia (TEC): não há acordo comercial Brasil-Vietnã
Distância da fábrica ao BrasilCiudad del Este a 30 km de Foz do Iguaçu; caminhãoNavio ou avião; semanas de trânsito marítimo até SantosNavio; do outro lado do mundo, semanas de trânsito
Idioma, fuso e visitaEspanhol e português na fronteira; mesmo fuso; dá para ir de carroEspanhol; 2 a 3 horas de diferença; voo de 10 horasVietnamita e inglês; 10 horas de diferença; mais de 24 horas de viagem

Fontes: Lei 7.547/2025 e fichas do MIC (Paraguai); Garrigues e El Contribuyente (México); PwC Tax Summaries e Governo do Vietnã (Vietnã); ALADI (ACE 53).

O erro mais comum: olhar só o salário

O salário mínimo do Vietnã é menos da metade do paraguaio. Mesmo assim, para a indústria brasileira a conta raramente fecha, porque o salário é uma linha da planilha e a volta do produto é outra. Um produto feito no Vietnã paga a tarifa cheia na entrada do Brasil e viaja semanas; se a demanda muda, o estoque já está no mar. O México tem salário parecido com o do Paraguai e um regime bem montado para quem vende nos Estados Unidos (o IMMEX nasceu para isso), mas o produto que volta ao Brasil paga imposto de importação na maioria dos itens. É a mesma regra que a FCI aplica em toda conta: o que decide é o custo total posto na porta do cliente, não o custo da hora de trabalho.

Quando o México ou o Vietnã ganham

  • Cliente nos Estados Unidos ou no Canadá: o México, pelo USMCA, com regras de conteúdo regional (75% no setor automotivo).
  • Cliente na Ásia ou na Europa, volume alto e produto leve: o Vietnã, pelos acordos que tem com a União Europeia e com países asiáticos.
  • Cadeia de fornecedores que só existe lá: eletrônicos de consumo e alguns componentes, por exemplo.

Quando o Paraguai ganha

  • O cliente final está no Brasil ou no Mercosul.
  • O produto suporta o frete da volta: peça técnica de R$ 40/kg paga cerca de 3% de frete; embalagem vazia de R$ 6/kg paga 20% e não fecha.
  • O dono quer visitar a fábrica no mesmo dia, falar a língua e começar por submaquila ou shelter antes de investir em planta própria.
  • A energia pesa na conta: a ANDE cobra US$ 44,33 por MWh em 220 kV, contra cerca de US$ 134 na indústria brasileira.

O que a FCI diz para o dono de indústria

Antes de escolher o país, escolha o cliente. Se ele está no Brasil, a fábrica tem que estar perto do Brasil, e aí a comparação é Brasil x Paraguai, em três cenários, com frete, energia, folha, tributo e regra de origem na mesma planilha. Quando a conta não fecha nem no Paraguai, a FCI diz para ficar. Quando fecha, começa pequeno, a 30 km de Foz, e cresce com a conta na mão.

Perguntas frequentes

Vale mais a pena produzir no México ou no Paraguai?

Para vender no Brasil, no Paraguai: o produto volta sem imposto de importação pelo Mercosul, a fábrica fica a 30 km de Foz do Iguaçu e a Maquila cobra 1% sobre o valor agregado. O México, com ISR de 30% e PTU de 10%, faz sentido para quem vende nos Estados Unidos.

O produto feito no México entra no Brasil sem imposto?

Só em parte. O acordo Brasil-México (ACE 53) dá preferência tarifária a 789 produtos, em níveis de 20% a 100%. Fora dessa lista, paga a tarifa cheia. O setor automotivo tem acordo próprio.

E o Vietnã, que tem o salário mais baixo?

O salário mínimo da região I é de VND 5,31 milhões por mês, cerca de US$ 210. Mas não há acordo comercial com o Brasil: o produto paga a tarifa cheia na entrada e viaja semanas de navio. Compensa para quem vende na Ásia ou na Europa.

Qual é o imposto de cada país sobre o lucro da fábrica?

Paraguai (Maquila): 1% sobre o valor agregado no lugar do imposto de renda. México: 30% de ISR mais 10% de PTU. Vietnã: 20% de CIT, com reduções em projetos incentivados.

A FCI faz estudo para México ou Vietnã?

O foco da FCI é a conta Brasil x Paraguai, em três cenários. Se o seu cliente está fora do Mercosul, a FCI diz isso na primeira conversa e indica o caminho, em vez de vender um estudo que não serve.

Seu cliente está no Brasil? Então a comparação certa é Brasil x Paraguai.

Mande setor, produto e para quem você vende no WhatsApp. A FCI diz em uma conversa se a conta do Paraguai merece ser aberta.

Falar com a FCI no WhatsApp
Fale conosco