Resposta curta
Segundo o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai (MIC), plásticos e suas manufaturas respondem por 6% das exportações da maquila em 2026, atrás de autopeças, confecções, alumínio e químicos. O setor faz conta no Paraguai por um motivo simples: a resina é cerca de 50% do custo de produção do transformador de plástico, segundo a Abiplast, e no Brasil o polipropileno importado paga 12,6% de imposto de importação, 3,25% de IPI e 9,25% de PIS/Cofins na entrada. Na Lei de Maquila (Lei 7.547/2025), a resina entra no Paraguai com os tributos de importação suspensos, a empresa paga 1% sobre o valor agregado ao exportar e o produto acabado volta ao Brasil com origem Mercosul, conforme o produto e o comprador.
Os números do setor
| Indicador | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Plásticos nas exportações da maquila | 6% (2026) | MIC, informe da maquila |
| Exportações totais da maquila | US$ 1,149 bilhão de janeiro a setembro de 2026, 70% das exportações industriais do país | MIC, via ABC Color (16/10/2026) |
| Produção anual da indústria plástica paraguaia | US$ 649,6 milhões, com 23 mil empregos diretos e indiretos | CEE-UIP e CPIP, via La Nación (01/05/2026) |
| Uso da capacidade instalada | 74%; 64% das empresas usam matéria-prima reciclada | CEE-UIP e CPIP, via La Nación |
| Peso da resina no custo do transformador | Cerca de 50% | Abiplast |
| Imposto de importação do polipropileno no Brasil (NCM 3902.10.10) | 12,6% (TEC), mais IPI de 3,25% e PIS/Cofins de 9,25% | TEC Mercosul e TIPI 2022 |
O Paraguai não produz resina. A indústria local importa polietileno e polipropileno principalmente do Mercosul e dos Estados Unidos, transforma e vende no mercado interno ou exporta para Brasil e Argentina, segundo o relatório do CEE-UIP e da CPIP. Para a indústria brasileira, isso significa duas coisas: não há fornecedor local de resina que mude a conta, e o ganho está em comprar a resina de quem for mais barato no mundo e internalizar sem o pedágio da importação.
O que muda na resina
Quem transforma plástico no Brasil compra a resina de produtor nacional ou importa pagando imposto de importação, IPI, PIS/Cofins e ICMS na entrada. Parte disso vira crédito, parte não, e o preço da resina nacional acompanha o preço internacional mais o custo de importar. É esse pedágio que a Lei de Maquila suspende: a resina entra no Paraguai dentro do Programa de Maquila aprovado, com os tributos de importação suspensos, e a empresa paga o tributo único de 1% sobre o valor que agregou no país quando exporta o produto acabado (Lei 7.547/2025). Suspensão não é isenção: a resina que não virar produto exportado precisa ser nacionalizada ou devolvida.
A conta que a FCI faz nos estudos compara o custo da resina posta na máquina, no Brasil e no Paraguai, e não o preço de lista. Para peças injetadas, sopro e filmes, a diferença na resina costuma pagar o frete da volta com folga; para produtos muito volumosos e baratos por quilo, como baldes e caixas grandes, o frete pode comer o ganho. Os detalhes do frete estão em Frete Ciudad del Este x Brasil.
Origem Mercosul: a resina importada não atrapalha?
Em geral, não. Transformar resina (capítulo 39, posições 3901 a 3914 da NCM) em embalagem, peça ou filme (posições 3917 a 3926) muda a classificação tarifária do produto, e o regime de origem do Mercosul aceita esse salto para a maioria dos itens. Além disso, o Paraguai pode usar até 60% de insumo de fora do bloco até 2038. Com o certificado de origem, o produto entra no Brasil com imposto de importação zero; IPI, PIS/Cofins e ICMS na entrada continuam, e o seu cliente se credita de parte deles se for indústria ou atacado. A regra completa está em Regra de origem Mercosul e os tributos da volta em Imposto na volta ao Brasil.
Rotulagem: a embalagem feita no Paraguai precisa dizer de onde veio?
Depende do que entra no Brasil. Pelo Regulamento do IPI (Decreto 7.212/2010, art. 283, II), é proibido importar produto estrangeiro com rótulo em português sem a indicação do país de origem; a exigência vale no momento da importação. Então uma embalagem impressa em português e fabricada no Paraguai precisa trazer a origem (por exemplo, "Indústria Paraguaia") ou entrar sem texto em português. Se a embalagem vazia é insumo de um produto que será envasado no Brasil, o produto final é industrializado no Brasil e segue as regras brasileiras de rotulagem; a embalagem em si, como mercadoria importada, precisa cumprir a regra acima no despacho. Para alimentos, bebidas, cosméticos e produtos regulados, ANVISA, Inmetro e Ministério da Agricultura podem exigir mais, e isso entra no estudo antes de desenhar a arte da embalagem.
Máquinas: a quantidade altera o imposto?
Não. O tributo da maquila é 1% sobre o valor agregado no Paraguai (ou sobre a fatura de exportação, o que for maior), e não depende de quantas injetoras ou sopradoras a planta tem. As máquinas entram no programa com os tributos de importação suspensos, como bens de capital temporários, e podem ser as que já estão na sua fábrica no Brasil, desde que a saída delas do Brasil seja feita corretamente. Quem compra máquina nova pode usar também a Lei 7.548/2025 (antiga Lei 60/90), explicada em Lei 7.548/2025: máquinas isentas.
Para quem faz sentido e para quem não
- Faz sentido para injeção técnica, peças para autopeças e eletrodomésticos, sopro de frascos, filmes e embalagens flexíveis com resina importada acima de 40% do custo, cliente que aproveita crédito e produto caro por quilo.
- Faz menos sentido para produtos volumosos e baratos por quilo que viajam mal (frete), para quem vende ao consumidor final sem crédito tributário, e para quem tem resina nacional barata e contrato de longo prazo.
- Depende da conta quando a linha mistura os dois: a saída comum é levar só a etapa ou a família de produtos que fecha a conta, e manter o restante no Brasil.
Prazo realista
Para plásticos, o caminho é o mesmo das outras indústrias: estudo de viabilidade em até 3 meses, Programa de Maquila com cerca de 90 dias entre o protocolo e a resolução, com a documentação em ordem, e 18 meses depois da resolução para começar a produzir. A licença ambiental do MADES e a classificação correta dos resíduos de processo são os pontos que mais atrasam uma planta de plástico. O passo a passo está em Quanto tempo para começar a produzir no Paraguai.
Perguntas frequentes
Vale a pena produzir embalagens plásticas no Paraguai?
Vale quando a resina importada pesa mais de 40% do custo, o cliente aproveita crédito tributário e o produto é caro por quilo. Plásticos são 6% das exportações da maquila (MIC, 2026). Para produtos volumosos e baratos, o frete da volta pode anular o ganho.
A resina entra no Paraguai sem pagar imposto?
Dentro de um Programa de Maquila aprovado, a resina entra com os tributos de importação suspensos, não isentos. A empresa paga 1% sobre o valor agregado ao exportar o produto acabado (Lei 7.547/2025). Resina que não virar exportação precisa ser nacionalizada ou devolvida.
Embalagem feita no Paraguai precisa indicar o país de origem?
Se tiver rótulo em português, sim: o Decreto 7.212/2010, art. 283, II, proíbe importar produto estrangeiro com rótulo em português sem o país de origem. Produtos regulados pela ANVISA, Inmetro ou Ministério da Agricultura podem ter exigências adicionais.
A quantidade de máquinas altera o imposto da Maquila?
Não. O tributo é de 1% sobre o valor agregado no Paraguai e não depende do número de injetoras ou sopradoras. As máquinas entram no programa com os tributos de importação suspensos.
Quanto tempo leva para uma fábrica de plástico começar a produzir no Paraguai?
Estudo de viabilidade em até 3 meses, cerca de 90 dias para a resolução do Programa de Maquila com documentação em ordem, e até 18 meses depois disso para iniciar a produção. A licença ambiental é o que mais atrasa.
Quer saber quanto a sua resina custaria posta na máquina no Paraguai?
Mande no WhatsApp o tipo de resina, o volume mensal e o produto. A FCI devolve a comparação Brasil x Paraguai com frete, tributos na volta e origem Mercosul.
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