Resposta curta
O Paraguai tem crédito público de longo prazo para indústria. O programa Paraguay Industrial, lançado em 17 de setembro de 2026 pelo Ministério da Indústria e Comércio (MIC) e pela Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), empresta até US$ 2,5 milhões por empresa, em até 15 anos, com até 3 anos de carência, a 8,5% ao ano em dólar ou 10,5% ao ano em guarani. O programa soma US$ 100 milhões. O pedido não é feito na AFD: passa por um banco, financeira ou cooperativa habilitada, que analisa o crédito. O alvo são indústrias com perfil exportador e faturamento acima de Gs. 15 bilhões por ano. As fontes oficiais não citam a maquila nem a empresa recém-aberta, então a elegibilidade precisa ser confirmada com o banco e com o MIC antes de entrar na conta.
Paraguay Industrial: as condições, com fonte
| Item | Condição | Fonte |
|---|---|---|
| Quem lançou | Governo do Paraguai, por meio do MIC e da AFD, em 17/9/2026 | AFD |
| Valor por empresa | Até US$ 2,5 milhões por beneficiário | AFD |
| Prazo | Até 15 anos | AFD |
| Carência | Até 3 anos | AFD |
| Juros | 8,5% ao ano em dólar e 10,5% ao ano em guarani | AFD |
| Total do programa | US$ 100 milhões | AFD |
| O que financia | Máquinas e equipamentos, ampliação de instalações, construção de plantas novas e capital operativo | AFD |
| Para quem | Empresas industriais com capacidade exportadora e projeto de investimento elegível. Setores priorizados: alimentos e agroindústria, metalmecânica, têxteis e confecções, madeira e manufaturas | AFD |
| Porte | Faturamento acima de Gs. 15.000 milhões por ano, cerca de US$ 2,6 milhões pela cotação de referência de 28/10/2026 (Gs. 5.781) | Diretor da AFD, em La Nación (Paraguai) |
| Garantia | Opcional, pelo Fundo de Garantia Industrial (FOGAIN) | AFD |
"Até 15 anos" e "até 3 anos de carência" são tetos. O prazo, a carência e a taxa de cada operação saem da análise do banco sobre o projeto e sobre a empresa.
Como se pede o crédito
- Simulação. O MIC mantém um simulador das condições no endereço paraguayindustrial.mic.gov.py, citado pela AFD.
- Banco. O pedido entra por uma instituição habilitada pela AFD (banco, financeira ou cooperativa) ou pelo Banco Nacional de Fomento (BNF). A AFD é banco de segundo piso e não atende a empresa diretamente.
- Análise. A instituição analisa a operação: capacidade de pagamento, garantias e projeto.
- Elegibilidade. O MIC confere se o projeto cabe nos critérios do programa.
- Desembolso. O dinheiro chega à empresa pela instituição que aprovou o crédito.
Na página de produtos da AFD, as instituições habilitadas incluem BNF, Continental, Itaú, Sudameris, Basa, GNB, Atlas, Familiar, Bancop, Interfisa e Solar, além de duas financeiras. A lista ainda traz o Ueno Bank, que está em resolução desde 3 de novembro de 2026: veja o que muda para a indústria com o caso Ueno Bank.
Outra linha da AFD: PROCRECER
O PROCRECER é o produto geral da AFD para projetos de investimento. Financia imóvel produtivo, obras, tecnologia, máquinas e equipamentos, com prazo de até 12 anos e carência de até 2 anos, incluída no prazo. Cobre até 100% do orçamento do projeto, ou até 80% quando há compra de imóvel. Capital operativo tem prazo de 2 anos, sem carência. É para pessoa física ou jurídica residente no Paraguai com renda anual a partir de Gs. 15.000 milhões. A taxa final é a taxa da AFD para o banco mais a margem do banco (AFD, produto PROCRECER).
Maquiladora e empresa nova conseguem?
É a pergunta que mais pesa para a indústria brasileira, e as fontes oficiais não respondem de forma direta. Três pontos para levar ao banco:
- Perfil exportador. O programa mira empresas com capacidade exportadora. A maquiladora produz para exportar, mas os textos da AFD e do MIC consultados não citam a maquila nem empresas de capital estrangeiro. Quem confere a elegibilidade é o MIC, caso a caso.
- Faturamento. A referência é faturamento acima de Gs. 15 bilhões por ano. Uma empresa recém-aberta no Paraguai ainda não tem esse histórico no país. O banco pode pedir garantias, e pode ser que o crédito só caiba depois que a operação estiver faturando.
- Momento. Com a resolução do Ueno Bank e a crise política de novembro de 2026, o crédito pode ficar mais seletivo. Vale pedir cotação atualizada antes de fechar o plano. Veja o que mudou nesta semana.
Crédito de 15 anos existe. Contar com ele antes de o banco dizer sim é o erro.
Juros: o que dá e o que não dá para comparar com o Brasil
A taxa de 8,5% ao ano é em dólar; a de 10,5%, em guarani. A Selic está em 13,75% ao ano, em real (Copom, 4 de novembro de 2026). São moedas e bases diferentes, e a Selic não é a taxa que a empresa paga no banco. O que dá para dizer: a maquiladora vende em dólar, então dívida em dólar casa com a receita; dívida em guarani deixa o risco de câmbio com a empresa. A conta certa compara a parcela do financiamento com o caixa do projeto, e não uma taxa com a outra.
Onde o financiamento entra na conta do projeto
O crédito não muda se a operação compensa. Muda quanto capital próprio ela exige e quando o caixa fica positivo. No estudo de viabilidade ele aparece em três linhas: investimento em máquinas e instalações, carência durante a montagem e o treinamento da equipe, e parcela mensal depois da partida. A Lei 7.548/2025 trata de incentivos ao investimento, e o custo completo está em Quanto custa produzir no Paraguai. O roteiro do estudo está em O que um estudo de viabilidade precisa ter.
O papel da FCI no financiamento
A FCI dá a direção: mostra quais linhas existem, em que ponto do projeto o crédito entra e quais números o banco vai querer ver. A FCI não monta nem apresenta o pedido de crédito. Quem leva os números da indústria ao banco é a própria empresa, com o banco ou a assessoria financeira que ela escolher. O estudo de viabilidade da FCI serve de base para essa conversa, porque já traz investimento, custo e fluxo de caixa da operação no Paraguai.
Perguntas frequentes
Existe financiamento para indústria no Paraguai?
Sim. O programa Paraguay Industrial, do Ministério da Indústria e Comércio e da Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), empresta até US$ 2,5 milhões por empresa para máquinas, instalações, plantas novas e capital operativo. O pedido é feito em banco, financeira ou cooperativa habilitada pela AFD.
Qual é o prazo e a carência do financiamento industrial no Paraguai?
No programa Paraguay Industrial, até 15 anos de prazo, com até 3 anos de carência. No PROCRECER, outra linha da AFD, até 12 anos, com até 2 de carência. São tetos: o prazo de cada operação sai da análise do banco.
Qual é a taxa de juros do Paraguay Industrial?
8,5% ao ano em dólar e 10,5% ao ano em guarani, segundo a AFD (outubro de 2026). Não é comparável direto com a Selic, que é em real e não é a taxa paga pela empresa no banco.
Empresa brasileira ou maquiladora pode pegar esse crédito?
As fontes oficiais não citam a maquila nem empresas de capital estrangeiro. O programa mira indústrias com perfil exportador e faturamento acima de Gs. 15 bilhões por ano, e o MIC confere a elegibilidade caso a caso. Empresa recém-aberta no Paraguai deve confirmar com o banco antes de contar com o crédito.
A FCI consegue o financiamento para a minha empresa?
Não. A FCI dá a direção: mostra as linhas que existem e onde o crédito entra no projeto. O pedido de crédito é montado e apresentado pela própria empresa ao banco, com a assessoria financeira que ela escolher. O estudo de viabilidade da FCI serve de base para essa conversa.
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