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Financiamento para indústria no Paraguai: quais linhas existem, prazos e juros?

O governo paraguaio lançou em setembro de 2026 uma linha de até 15 anos, com até 3 de carência, para indústrias exportadoras. Aqui estão as condições com fonte oficial, quem consegue acessar, como se pede e o que a FCI faz e não faz nessa etapa.

Por Fernanda Iorio, engenheira e fundadora da FCI Consulting Export  ·  Atualizado em 6 de novembro de 2026

Resposta curta

O Paraguai tem crédito público de longo prazo para indústria. O programa Paraguay Industrial, lançado em 17 de setembro de 2026 pelo Ministério da Indústria e Comércio (MIC) e pela Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), empresta até US$ 2,5 milhões por empresa, em até 15 anos, com até 3 anos de carência, a 8,5% ao ano em dólar ou 10,5% ao ano em guarani. O programa soma US$ 100 milhões. O pedido não é feito na AFD: passa por um banco, financeira ou cooperativa habilitada, que analisa o crédito. O alvo são indústrias com perfil exportador e faturamento acima de Gs. 15 bilhões por ano. As fontes oficiais não citam a maquila nem a empresa recém-aberta, então a elegibilidade precisa ser confirmada com o banco e com o MIC antes de entrar na conta.

Paraguay Industrial: as condições, com fonte

ItemCondiçãoFonte
Quem lançouGoverno do Paraguai, por meio do MIC e da AFD, em 17/9/2026AFD
Valor por empresaAté US$ 2,5 milhões por beneficiárioAFD
PrazoAté 15 anosAFD
CarênciaAté 3 anosAFD
Juros8,5% ao ano em dólar e 10,5% ao ano em guaraniAFD
Total do programaUS$ 100 milhõesAFD
O que financiaMáquinas e equipamentos, ampliação de instalações, construção de plantas novas e capital operativoAFD
Para quemEmpresas industriais com capacidade exportadora e projeto de investimento elegível. Setores priorizados: alimentos e agroindústria, metalmecânica, têxteis e confecções, madeira e manufaturasAFD
PorteFaturamento acima de Gs. 15.000 milhões por ano, cerca de US$ 2,6 milhões pela cotação de referência de 28/10/2026 (Gs. 5.781)Diretor da AFD, em La Nación (Paraguai)
GarantiaOpcional, pelo Fundo de Garantia Industrial (FOGAIN)AFD

"Até 15 anos" e "até 3 anos de carência" são tetos. O prazo, a carência e a taxa de cada operação saem da análise do banco sobre o projeto e sobre a empresa.

Como se pede o crédito

  1. Simulação. O MIC mantém um simulador das condições no endereço paraguayindustrial.mic.gov.py, citado pela AFD.
  2. Banco. O pedido entra por uma instituição habilitada pela AFD (banco, financeira ou cooperativa) ou pelo Banco Nacional de Fomento (BNF). A AFD é banco de segundo piso e não atende a empresa diretamente.
  3. Análise. A instituição analisa a operação: capacidade de pagamento, garantias e projeto.
  4. Elegibilidade. O MIC confere se o projeto cabe nos critérios do programa.
  5. Desembolso. O dinheiro chega à empresa pela instituição que aprovou o crédito.

Na página de produtos da AFD, as instituições habilitadas incluem BNF, Continental, Itaú, Sudameris, Basa, GNB, Atlas, Familiar, Bancop, Interfisa e Solar, além de duas financeiras. A lista ainda traz o Ueno Bank, que está em resolução desde 3 de novembro de 2026: veja o que muda para a indústria com o caso Ueno Bank.

Outra linha da AFD: PROCRECER

O PROCRECER é o produto geral da AFD para projetos de investimento. Financia imóvel produtivo, obras, tecnologia, máquinas e equipamentos, com prazo de até 12 anos e carência de até 2 anos, incluída no prazo. Cobre até 100% do orçamento do projeto, ou até 80% quando há compra de imóvel. Capital operativo tem prazo de 2 anos, sem carência. É para pessoa física ou jurídica residente no Paraguai com renda anual a partir de Gs. 15.000 milhões. A taxa final é a taxa da AFD para o banco mais a margem do banco (AFD, produto PROCRECER).

Maquiladora e empresa nova conseguem?

É a pergunta que mais pesa para a indústria brasileira, e as fontes oficiais não respondem de forma direta. Três pontos para levar ao banco:

  • Perfil exportador. O programa mira empresas com capacidade exportadora. A maquiladora produz para exportar, mas os textos da AFD e do MIC consultados não citam a maquila nem empresas de capital estrangeiro. Quem confere a elegibilidade é o MIC, caso a caso.
  • Faturamento. A referência é faturamento acima de Gs. 15 bilhões por ano. Uma empresa recém-aberta no Paraguai ainda não tem esse histórico no país. O banco pode pedir garantias, e pode ser que o crédito só caiba depois que a operação estiver faturando.
  • Momento. Com a resolução do Ueno Bank e a crise política de novembro de 2026, o crédito pode ficar mais seletivo. Vale pedir cotação atualizada antes de fechar o plano. Veja o que mudou nesta semana.

Crédito de 15 anos existe. Contar com ele antes de o banco dizer sim é o erro.

Juros: o que dá e o que não dá para comparar com o Brasil

A taxa de 8,5% ao ano é em dólar; a de 10,5%, em guarani. A Selic está em 13,75% ao ano, em real (Copom, 4 de novembro de 2026). São moedas e bases diferentes, e a Selic não é a taxa que a empresa paga no banco. O que dá para dizer: a maquiladora vende em dólar, então dívida em dólar casa com a receita; dívida em guarani deixa o risco de câmbio com a empresa. A conta certa compara a parcela do financiamento com o caixa do projeto, e não uma taxa com a outra.

Onde o financiamento entra na conta do projeto

O crédito não muda se a operação compensa. Muda quanto capital próprio ela exige e quando o caixa fica positivo. No estudo de viabilidade ele aparece em três linhas: investimento em máquinas e instalações, carência durante a montagem e o treinamento da equipe, e parcela mensal depois da partida. A Lei 7.548/2025 trata de incentivos ao investimento, e o custo completo está em Quanto custa produzir no Paraguai. O roteiro do estudo está em O que um estudo de viabilidade precisa ter.

O papel da FCI no financiamento

A FCI dá a direção: mostra quais linhas existem, em que ponto do projeto o crédito entra e quais números o banco vai querer ver. A FCI não monta nem apresenta o pedido de crédito. Quem leva os números da indústria ao banco é a própria empresa, com o banco ou a assessoria financeira que ela escolher. O estudo de viabilidade da FCI serve de base para essa conversa, porque já traz investimento, custo e fluxo de caixa da operação no Paraguai.

Perguntas frequentes

Existe financiamento para indústria no Paraguai?

Sim. O programa Paraguay Industrial, do Ministério da Indústria e Comércio e da Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), empresta até US$ 2,5 milhões por empresa para máquinas, instalações, plantas novas e capital operativo. O pedido é feito em banco, financeira ou cooperativa habilitada pela AFD.

Qual é o prazo e a carência do financiamento industrial no Paraguai?

No programa Paraguay Industrial, até 15 anos de prazo, com até 3 anos de carência. No PROCRECER, outra linha da AFD, até 12 anos, com até 2 de carência. São tetos: o prazo de cada operação sai da análise do banco.

Qual é a taxa de juros do Paraguay Industrial?

8,5% ao ano em dólar e 10,5% ao ano em guarani, segundo a AFD (outubro de 2026). Não é comparável direto com a Selic, que é em real e não é a taxa paga pela empresa no banco.

Empresa brasileira ou maquiladora pode pegar esse crédito?

As fontes oficiais não citam a maquila nem empresas de capital estrangeiro. O programa mira indústrias com perfil exportador e faturamento acima de Gs. 15 bilhões por ano, e o MIC confere a elegibilidade caso a caso. Empresa recém-aberta no Paraguai deve confirmar com o banco antes de contar com o crédito.

A FCI consegue o financiamento para a minha empresa?

Não. A FCI dá a direção: mostra as linhas que existem e onde o crédito entra no projeto. O pedido de crédito é montado e apresentado pela própria empresa ao banco, com a assessoria financeira que ela escolher. O estudo de viabilidade da FCI serve de base para essa conversa.

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